Resolvi arrumar o segundo andar da minha casa, onde ficam os livros, os papéis, as pastas, enfim.
Entre papéis antigos, fui encontrando anotações de aulas da faculdade, de cursos, do doutorado, montes de textos que eu ia ler um dia, anotações das idéias que me passaram pela cabeça.
São fragmentos dos meus dias, são minhas memórias, minhas trajetórias - fiquei tentada a guardar tudo ou colocar tudo fora de vez, pra não ter que olhar e decidir quem vai e quem fica.
Optei por um meio termo e estou aqui selecionando e selecionando... será que um dia termino?
Ali tem anotações de aula, dos meus professores queridos, idéias para os projetos futuros, coisas que me importaram um dia.
Aqueles papeis juntos tem a faculdade de deixar ver muito sobre meu processo criativo, as coisas que penso, como se ajeitaram, como foram se formando.
E muitos dos trabalhos que eu faço são sobre acervos pessoais, de músicos, e outros.
Fico pensando: e se eles tivessem colocado tudo fora, eu ia analisar o que?
Será que vai ter algum pesquisador esquisito que vai um dia se debruçar sobre meus papeis?
Mas não vai ter jeito: viver uma vida e acumular outra do lado só pra registrar uma vida vivida vai acabar sendo duas pela metade.
Então, se vão papeis velhos, o que tinha que ficar de vocês ficou em mim.
Ah, e os livros estão no mesmo processo...
Meus livros do Artaud, Rimbaud, Breton, que eu gostei tanto um dia, mas que sei que nunca mais vou reler.
Os clássicos – tipo Don Quijote, Cem anos de solidão, guardo os que fazem parte de mim ou os que um dia vou reler? Os de poesia ficam fora desta categoria de possivelmente ir.
Com tudo na internet, mesmo assim, não consigo pensar em livros só virtuais.
Mas, de novo, ficar guardando só pra ser mais coisa pra juntar pó e me fazer pensar que não deu tempo de tirar o pó?
E aqueles livros que eu comprei e pensei que ia ler, e, claro, nunca li? Ou, quem sabe, ainda não li? Vou me afogando num mar de “quem sabes” pior que a modinha do Carlos Gomes, e deixo os livros lá esperando, enquanto outros vão aumentando a pilha.
Sim, tenho que ler todos. Todos estes e muitos mais.
Mas, como diz o Vitor Ramil, se eu tiver que ler tudo o barroco, que tempo vai sobrar pra minha nega? Pro meu nego, no meu caso?
Parei de novo com isto. Vou selecionar os livros pra doar.
(Escrevi “dor” sem querer...)
Alô, tem uma dor aí?
Pois vou fazer com que vire outra coisa, vire alegria de ver meus livros queridos andando pelo mundo.
Quem gosta de ler coisas boas, candidate-se!
Diga que vai cuidar bem dos meus livrinhos queridos, lê-los com atenção e carinho, que vou fazer uma fila de doação por aqui!
Não é pra esquecer, muito menos pra me esquecer, mas pra dar um jeito de tirar o pó de algumas memórias que já viraram esquecimento.
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sexta-feira, outubro 21, 2011
segunda-feira, agosto 29, 2011
el miedo
O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado.
Clarice Lispector
assim, ó:
se expor é uó.
é arriscado.
tem vezes que caem de chofre bem em cima da gente sentimentos nada simpáticos, coisas de que nào me orgulho, atitudes que me fazem pensar como é que fui capaz disto.
o pior é olhar na cara do outro e saber que ele estava bem do teu lado, viu tudo, e entendeu tudo.
nào dá nem vontade de levantar o olho.
fazer de conta que não viu, que nào era comigo, que aquela atitude medrosa e assustada não foi minha.
ou virar as costas e dizer que não brinco mais disso, que vou embora porque não vai ter nem como começar a explicar.
daí eu vejo que ele segue ali.
e que daí vem um olhar amoroso, acolhedor, um abraço enorme que é do tamanho do mundo.
que ele é meu cumplice mesmo no que eu nào sabia de mim mesma, do que eu tenho que me esforçar pra aceitar como meu.
sempre pensei que amor era isto, ter um cúmplice nos meus piores momentos, nas minhas mais arriscadas aventuras, dividir meus mais terríveis segredos.
Clarice Lispector
assim, ó:
se expor é uó.
é arriscado.
tem vezes que caem de chofre bem em cima da gente sentimentos nada simpáticos, coisas de que nào me orgulho, atitudes que me fazem pensar como é que fui capaz disto.
o pior é olhar na cara do outro e saber que ele estava bem do teu lado, viu tudo, e entendeu tudo.
nào dá nem vontade de levantar o olho.
fazer de conta que não viu, que nào era comigo, que aquela atitude medrosa e assustada não foi minha.
ou virar as costas e dizer que não brinco mais disso, que vou embora porque não vai ter nem como começar a explicar.
daí eu vejo que ele segue ali.
e que daí vem um olhar amoroso, acolhedor, um abraço enorme que é do tamanho do mundo.
que ele é meu cumplice mesmo no que eu nào sabia de mim mesma, do que eu tenho que me esforçar pra aceitar como meu.
sempre pensei que amor era isto, ter um cúmplice nos meus piores momentos, nas minhas mais arriscadas aventuras, dividir meus mais terríveis segredos.
curtas
eu não comprei um iphone. de novo.
não adianta virem me dizer que eu preciso de algo que eu já tenho só porque está em promoção e custa 999, quando o preço normal é mil e seiscentos.
o caso é que pro uso que eu faço eu ja tenho o que preciso.
(embora os iniciados vão sacudir a cabeça e dizer que nao sei o que estou perdendo...)
agosto veio e arrasou.
carro fundiu o motor, a tela do notebook quebrou e os dois emails do terra estao em pane profundo.
levanta, sacode a poeira e dá volta por cima!
qual a canção de amor da sua vida?
ando meio sem paciência para escrever tudo o que tenho pensado.
não pensem que mudou meu ritmo, sigo pensando à velocidade da luz.
só que tenho partilhado muito na ágora (FB), vou mudar já já isto.
e tenho partilhado só o resultado dos pensamentos, não os processos.
estou pensando num jeito de ir contando o que tenho construido.
proximos temas: filhos, amor, mundo do trabalho, proximos livros, reflexões sobre o feminino, música, shows
uai, quem disse que tinha mudado?
não adianta virem me dizer que eu preciso de algo que eu já tenho só porque está em promoção e custa 999, quando o preço normal é mil e seiscentos.
o caso é que pro uso que eu faço eu ja tenho o que preciso.
(embora os iniciados vão sacudir a cabeça e dizer que nao sei o que estou perdendo...)
agosto veio e arrasou.
carro fundiu o motor, a tela do notebook quebrou e os dois emails do terra estao em pane profundo.
levanta, sacode a poeira e dá volta por cima!
qual a canção de amor da sua vida?
ando meio sem paciência para escrever tudo o que tenho pensado.
não pensem que mudou meu ritmo, sigo pensando à velocidade da luz.
só que tenho partilhado muito na ágora (FB), vou mudar já já isto.
e tenho partilhado só o resultado dos pensamentos, não os processos.
estou pensando num jeito de ir contando o que tenho construido.
proximos temas: filhos, amor, mundo do trabalho, proximos livros, reflexões sobre o feminino, música, shows
uai, quem disse que tinha mudado?
quinta-feira, abril 21, 2011
assim, ó:
muito trabalho
o dia passa rapido demais
as horas parece que nao chegam
as coisas pra fazer aumentam por minuto
a dor de cabeça virou rotina no dia a dia
nao da tempo de escrever no blog e fazer as coisas que gosto
OPA!
como assim?
vai ter que dar!
para tudo que eu quero descer!
outro dia me perguntaram, depois do "oi": "tudo tranquilo?"
pensei: "pôxa, tranquilo é uma palavra que nao costumo usar pra descrever o meu dia..."
e porque nao?
deveria ser tranquilo!
pode ser tranquilo!
porque entao eu nao vejo como tranquilo?
porque as solicitaçoes de todo o mundo tem que vir antes das minhas!
para tudo que eu quero descer!
mesmo no meio do caos, manter a serenidade.
quero tranquilidade!
o dia passa rapido demais
as horas parece que nao chegam
as coisas pra fazer aumentam por minuto
a dor de cabeça virou rotina no dia a dia
nao da tempo de escrever no blog e fazer as coisas que gosto
OPA!
como assim?
vai ter que dar!
para tudo que eu quero descer!
outro dia me perguntaram, depois do "oi": "tudo tranquilo?"
pensei: "pôxa, tranquilo é uma palavra que nao costumo usar pra descrever o meu dia..."
e porque nao?
deveria ser tranquilo!
pode ser tranquilo!
porque entao eu nao vejo como tranquilo?
porque as solicitaçoes de todo o mundo tem que vir antes das minhas!
para tudo que eu quero descer!
mesmo no meio do caos, manter a serenidade.
quero tranquilidade!
domingo, abril 03, 2011
os olhos vêem de onde os pés habitam
"Ler significa reler e compreender. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê é necessário saber como são seus olhos e qual a sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura. A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Para compreender é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiência tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o animam. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação. Sendo assim, fica evidente que cada leitor é sempre um co-autor. Porque cada um lê e relê com os olhos que tem. Porque compreende e interpreta a partir do mundo que habita."(leonardo boff)
segunda-feira, março 28, 2011
escuta - manias são as dos outros!
tem dias que estou muito disposta a escutar coisas novas,
e tem outros tantos que só quero aquelas músicas que me trazem especificamente aquela sensação desejada.
estou há alguns dias ouvindo musicas novas - hoje ouvi the xx, mas nos ultimos dias tenho ouvido la chicana tango.
os arranjos deles tem um que de nino rotta, kurt weill e tom waits que eu gosto muito.
mas é muito recorrente que tenhas períodos que eu associo determinadas músicas a determinados momentos do dia.
por exemplo: pra sair de manhã de casa, eu ouvia sempre (durante um período) my sweet lord, do george harrison.
parecia a mais adequada pra um começo de dia, tipo a primeira oração, um agradecimento, um tete-a-tete com deus.
agora, tenho saudado cada novo dia com maria bethania, "dentro do mar tem rio" (versao ao vivo):
"dentro do mar tem rio,
calmaria e trovao,
dentro de mim tem o que
dentro da dor a canção,
dentro do guerreiro a flor
dama de espada na mão,
dentro de mim tem você,
beira mar".
não me perguntem por que...
e vou escutando musica bem alto dentro do carro,
andando e cantando alto...
fora isto, pra mim sempre tem musica adequada para cada momento:
nào me façam ouvir coisas que pra mim nao combinam com aquela hora,
com minha sensação intimista ou extrovertida,
totalmente aleatorias a não ser do meu ponto de vista.
porque manias são as dos outros,
as minhas são beeem normais!
(meus lugares de escutar musica sao dentro do carro e o mp3, fui desterrada do meu lugar de escuta dentro da casa pelas musicas dos meus filhos...)
e tem outros tantos que só quero aquelas músicas que me trazem especificamente aquela sensação desejada.
estou há alguns dias ouvindo musicas novas - hoje ouvi the xx, mas nos ultimos dias tenho ouvido la chicana tango.
os arranjos deles tem um que de nino rotta, kurt weill e tom waits que eu gosto muito.
mas é muito recorrente que tenhas períodos que eu associo determinadas músicas a determinados momentos do dia.
por exemplo: pra sair de manhã de casa, eu ouvia sempre (durante um período) my sweet lord, do george harrison.
parecia a mais adequada pra um começo de dia, tipo a primeira oração, um agradecimento, um tete-a-tete com deus.
agora, tenho saudado cada novo dia com maria bethania, "dentro do mar tem rio" (versao ao vivo):
"dentro do mar tem rio,
calmaria e trovao,
dentro de mim tem o que
dentro da dor a canção,
dentro do guerreiro a flor
dama de espada na mão,
dentro de mim tem você,
beira mar".
não me perguntem por que...
e vou escutando musica bem alto dentro do carro,
andando e cantando alto...
fora isto, pra mim sempre tem musica adequada para cada momento:
nào me façam ouvir coisas que pra mim nao combinam com aquela hora,
com minha sensação intimista ou extrovertida,
totalmente aleatorias a não ser do meu ponto de vista.
porque manias são as dos outros,
as minhas são beeem normais!
(meus lugares de escutar musica sao dentro do carro e o mp3, fui desterrada do meu lugar de escuta dentro da casa pelas musicas dos meus filhos...)
terça-feira, março 01, 2011
origem nobre
testei hoje minha origem nobre
e comprei corrente folheada em prata.
(nao de prata prata, mas de outro metal qualquer,
com apenas uma casquinha de prata por cima.
desde sempre só compro prata, se fosse outro metal,
ouro teria que ser, porque os outros dão alergia).
achei bem, achei bonita, ponderei que custa menos,
quem sabe não dá alergia?
afinal, tem banho de prata, quase a mesma coisa.
fiquei durante o dia, foi indo, foi indo,
não chegou a ficar vermelha, mas deu coceira, irritou, ficou desconfortável, nao gostei.
troco amanhã, volto para a prata, que é o que é pra mim.
(a pessoa é para o que nasce)
e como nas velhas farsas, aqui vai a moraleja:
é pra mim o que é pra mim,
o quase não é igual ao certo,
e o certo é o que combina.
capisci?
e comprei corrente folheada em prata.
(nao de prata prata, mas de outro metal qualquer,
com apenas uma casquinha de prata por cima.
desde sempre só compro prata, se fosse outro metal,
ouro teria que ser, porque os outros dão alergia).
achei bem, achei bonita, ponderei que custa menos,
quem sabe não dá alergia?
afinal, tem banho de prata, quase a mesma coisa.
fiquei durante o dia, foi indo, foi indo,
não chegou a ficar vermelha, mas deu coceira, irritou, ficou desconfortável, nao gostei.
troco amanhã, volto para a prata, que é o que é pra mim.
(a pessoa é para o que nasce)
e como nas velhas farsas, aqui vai a moraleja:
é pra mim o que é pra mim,
o quase não é igual ao certo,
e o certo é o que combina.
capisci?
domingo, fevereiro 27, 2011
"todo fracasso ensina ao homem algo que ele precisa aprender.”
leram aí?
entao, para saber mais sobre o caso, vejam a ultima edição da vida simples, que fala sobre assumir a propria culpa nos casos que deram errado na sua vida.
para pensar, nem precisa contar pra ninguem, mas uma hora é preciso...
entao, para saber mais sobre o caso, vejam a ultima edição da vida simples, que fala sobre assumir a propria culpa nos casos que deram errado na sua vida.
para pensar, nem precisa contar pra ninguem, mas uma hora é preciso...
terça-feira, janeiro 25, 2011
blogar ou não blogar?
gente amiga,
em junho este blog completa cinco anos.
peraí, cinco ou seis?
seis!
em 16 de junho de 2005 postei pela primeira vez por aqui.
mas de um tempo pra cá estou reformulando e reformulando,
postando videos, notas esparsas sobre a vida,
coisas de trabalho, um poema lá que outro.
e não sei se continuo.
estou pensando em fazer um site, ter um "ponto com"
pra chamar de meu, daí com coisas do mundo academico,
e talvez um pequeno espaço para blogar.
não sei ainda.
parece que são tantas emoções que não dá tempo de escrever sobre todas elas, e ainda tem as delícias do mundo real, que estão aí para ser curtidas e vividas.
ao mesmo tempo, nem que seja só pra mim, escrever faz bem.
nem que seja de vez em quando.
(talvez nem seja uma questão...)
em junho este blog completa cinco anos.
peraí, cinco ou seis?
seis!
em 16 de junho de 2005 postei pela primeira vez por aqui.
mas de um tempo pra cá estou reformulando e reformulando,
postando videos, notas esparsas sobre a vida,
coisas de trabalho, um poema lá que outro.
e não sei se continuo.
estou pensando em fazer um site, ter um "ponto com"
pra chamar de meu, daí com coisas do mundo academico,
e talvez um pequeno espaço para blogar.
não sei ainda.
parece que são tantas emoções que não dá tempo de escrever sobre todas elas, e ainda tem as delícias do mundo real, que estão aí para ser curtidas e vividas.
ao mesmo tempo, nem que seja só pra mim, escrever faz bem.
nem que seja de vez em quando.
(talvez nem seja uma questão...)
quinta-feira, novembro 25, 2010
remexendo no baú do ano, da década, da vida
chega dezembro e a angustia parece que aumenta.
uma sensação de que o mes mal começou e já acabou,
de que não vai dar tempo de fazer nada,
de que as demandas aumentam,
um aperto interno de querer
fazer tudo ao mesmo tempo agora.
além de pensar no que se desejou ter feito
durante o ano e não deu tempo!
e ainda piora com a falta de sol em satolep...
mas resolvi desacelerar.
pensar no que eu fiz, no que foi,
no quanto produzi, em como foi bom,
focar no que deu pra fazer e não no que não deu.
em suma: um olhar mais acolhedor comigo mesma.
vou celebrar, comemorar,
mesmo com coisas faltando,
e que, ao fim e ao cabo, sempre vão faltar...
(por isto as fotos, porque sou muito concreta,
gosto de contemplar as lembranças porque parece
que aí se tornam mais palpaveis...)
uma sensação de que o mes mal começou e já acabou,
de que não vai dar tempo de fazer nada,
de que as demandas aumentam,
um aperto interno de querer
fazer tudo ao mesmo tempo agora.
além de pensar no que se desejou ter feito
durante o ano e não deu tempo!
e ainda piora com a falta de sol em satolep...
mas resolvi desacelerar.
pensar no que eu fiz, no que foi,
no quanto produzi, em como foi bom,
focar no que deu pra fazer e não no que não deu.
em suma: um olhar mais acolhedor comigo mesma.
vou celebrar, comemorar,
mesmo com coisas faltando,
e que, ao fim e ao cabo, sempre vão faltar...
(por isto as fotos, porque sou muito concreta,
gosto de contemplar as lembranças porque parece
que aí se tornam mais palpaveis...)
quinta-feira, novembro 18, 2010
qual é o mantra da tua vida?
"os sabios iogues dizem que a dor da vida humana é causada pelas palavras, assim como toda a alegria. nós criamos palavras para definir nossa experiencia, e essas palavras trazem consigo emoções que nos sacodem como cães numa coleira. nós somos seduzidos por nossos próprios mantras ('eu sou um fracasso... estou só... eu sou um fracasso... estou só...") e nos transformamos em monumentos a estes mantras. passar algum tempo sem falar, portanto, é uma tentativa de se desvencilhar do poder das palavras, de parar de nos asfixiar com as palavras, de nos libertar de nossos mantras sufocantes."
comer, rezar, amar, elizabeth gilbert, pág. 334.
além de ficar em silencio, uma alternativa mais efetiva poderia ser revisar os mantras que cada um tem usado a cada dia.
o que se diz a si mesmo ou ao outro.
"eu já falei a ela que ela é preguiçosa ( ou chata, mimada, etc)"
ou:
"que mal, nunca consigo fazer nada direito, nunca termino o que começo"
dizemos, pensando em modificar o outro e não percebemos que vai ser exatamente como estamos falando!
será que nos damos conta deste poder?
e com ele a capacidade de mudar o curso das coisas modificando os mantras?
qual o mantra da tua vida?
o que repetes a ti mesmo todos os dias, sobre tua vida, sobre os outros e o mundo?
tenho pensado nisto.
comer, rezar, amar, elizabeth gilbert, pág. 334.
além de ficar em silencio, uma alternativa mais efetiva poderia ser revisar os mantras que cada um tem usado a cada dia.
o que se diz a si mesmo ou ao outro.
"eu já falei a ela que ela é preguiçosa ( ou chata, mimada, etc)"
ou:
"que mal, nunca consigo fazer nada direito, nunca termino o que começo"
dizemos, pensando em modificar o outro e não percebemos que vai ser exatamente como estamos falando!
será que nos damos conta deste poder?
e com ele a capacidade de mudar o curso das coisas modificando os mantras?
qual o mantra da tua vida?
o que repetes a ti mesmo todos os dias, sobre tua vida, sobre os outros e o mundo?
tenho pensado nisto.
quarta-feira, outubro 27, 2010
"essere ciò che uno desidera di essere è il nostro progetto completo di vita... il difficile è sentire ciò che tu vuoi realmente sentire... ma una cosa che non ha prezzo per me è la felicità. La felicità penso che sia la migliore lezione di vita che abbia scelto per i miei figli!!!"...
(eu conversando com a elisabetta no msn, e ela traduziu para o italiano e publicou no facebook!)
(eu conversando com a elisabetta no msn, e ela traduziu para o italiano e publicou no facebook!)
domingo, setembro 26, 2010
reflexões de domingo
o ultimo domingo foi beeem diferente deste.
no ultimo domingo, fui passear com amigas
no parque da harmonia em porto alegre,
no acampamento farroupilha,
coisa que nunca tinha feito na vida,
e até comprei duas cuias novas!
hoje acordei, em casa, fiz o mate (numa das cuias novas!),
vim escrever para terminar o artigo que estou trabalhando
e resolvi quebrar o silencio deste blog.
ando com um turbilhão de coisas na cabeça,
como por vezes tenho.
sao tempos em que se misturam vontades e demandas
e tenho que focar muito pra não entrar em stress.
durante a semana passada, tive uma contratura muscular
beeem forte e uma dor de cabeça das mais estranhas, uma coisa
que parece que ardia e queimava dentro da cabeça.
durou uns dois, tres dias, fiquei bastante assustada, mas fui percebendo,
tentando ver o que aquela dor de cabeça queria me dizer,
e ao final até era bem simples: estava precisando dormir melhor
e reduzir o numero de coisas pra pensar ao mesmo tempo...
engraçado que esta situaçao tem sido recorrente na minha vida
nos ultimos dez anos, aos finais de ano, quando se acumulam muitas coisas.
mas daí fiquei pensando - e junte-se à isto as coisas que tenho pensado e trabalhado
em mim nos ultimos tempos: onde foi que eu criei este pensamento de que trabalho significa
esforço, stress e cansaço?
e percebi que criei esta historinha (baseada em crenças de vida, em coisas que acredito e que de alguma maneira se mostraram vantajosas ate aqui), e que tenho vivido segundo este script.
pra mim é cada vez mais claro que a gente cria os nossos scripts e vive segundo eles, todos os dias, desde que acorda, nas minimas coisas, principalmente nas coisas que estamos acostumados a reclamar.
ou seja: que as coisas que a gente nao gosta só acontece porque as criamos.
um pouco como a matrix, com a diferença é que a gente cria os padroes dos plugs.
(estão vendo porque tenho escrito pouco? porque as revoluções internas estão a mil, e toca a correr quem quiser acompanhar, porque as explicações vao ser assim mesmo)
não é pensar que a gente é o umbigo do mundo, mas entender que todas as relações que passam pela gente, ora, passam pela gente, e determinamos totalmente a forma como aquele padrao se manifesta.
entao, se mudarmos nos, e a unica maneira de haver mudança é assim, muda a vida.
e muda, muda mesmo.
então, estou aqui pensando em que trabalhar pode não ser tao cansativo, tao estressante, que é possivel produzir e escrever (e dar aula e cuidar de filho e trabalhar e namorar) sem ficar tao cansada.
a dor de cabeça passou, a contratura melhorou, pedro e gabriel melhoraram muitíssimo - estou muito feliz com isto!
agora estou tentando pensar em fazer coisas prazerosas por mim, porque, como sempre pergunta a dona helena, "o que é que estás fazendo pela isabel?"
eita...
vou aproveitar o domingo pra fazer isto, e depois conto.
(se quiserem depois passo indicaçoes de livros, textos, videos sobre estas coisas que tenho pensado e aprendido, e que comentei aqui)
no ultimo domingo, fui passear com amigas
no parque da harmonia em porto alegre,
no acampamento farroupilha,
coisa que nunca tinha feito na vida,
e até comprei duas cuias novas!
hoje acordei, em casa, fiz o mate (numa das cuias novas!),
vim escrever para terminar o artigo que estou trabalhando
e resolvi quebrar o silencio deste blog.
ando com um turbilhão de coisas na cabeça,
como por vezes tenho.
sao tempos em que se misturam vontades e demandas
e tenho que focar muito pra não entrar em stress.
durante a semana passada, tive uma contratura muscular
beeem forte e uma dor de cabeça das mais estranhas, uma coisa
que parece que ardia e queimava dentro da cabeça.
durou uns dois, tres dias, fiquei bastante assustada, mas fui percebendo,
tentando ver o que aquela dor de cabeça queria me dizer,
e ao final até era bem simples: estava precisando dormir melhor
e reduzir o numero de coisas pra pensar ao mesmo tempo...
engraçado que esta situaçao tem sido recorrente na minha vida
nos ultimos dez anos, aos finais de ano, quando se acumulam muitas coisas.
mas daí fiquei pensando - e junte-se à isto as coisas que tenho pensado e trabalhado
em mim nos ultimos tempos: onde foi que eu criei este pensamento de que trabalho significa
esforço, stress e cansaço?
e percebi que criei esta historinha (baseada em crenças de vida, em coisas que acredito e que de alguma maneira se mostraram vantajosas ate aqui), e que tenho vivido segundo este script.
pra mim é cada vez mais claro que a gente cria os nossos scripts e vive segundo eles, todos os dias, desde que acorda, nas minimas coisas, principalmente nas coisas que estamos acostumados a reclamar.
ou seja: que as coisas que a gente nao gosta só acontece porque as criamos.
um pouco como a matrix, com a diferença é que a gente cria os padroes dos plugs.
(estão vendo porque tenho escrito pouco? porque as revoluções internas estão a mil, e toca a correr quem quiser acompanhar, porque as explicações vao ser assim mesmo)
não é pensar que a gente é o umbigo do mundo, mas entender que todas as relações que passam pela gente, ora, passam pela gente, e determinamos totalmente a forma como aquele padrao se manifesta.
entao, se mudarmos nos, e a unica maneira de haver mudança é assim, muda a vida.
e muda, muda mesmo.
então, estou aqui pensando em que trabalhar pode não ser tao cansativo, tao estressante, que é possivel produzir e escrever (e dar aula e cuidar de filho e trabalhar e namorar) sem ficar tao cansada.
a dor de cabeça passou, a contratura melhorou, pedro e gabriel melhoraram muitíssimo - estou muito feliz com isto!
agora estou tentando pensar em fazer coisas prazerosas por mim, porque, como sempre pergunta a dona helena, "o que é que estás fazendo pela isabel?"
eita...
vou aproveitar o domingo pra fazer isto, e depois conto.
(se quiserem depois passo indicaçoes de livros, textos, videos sobre estas coisas que tenho pensado e aprendido, e que comentei aqui)
terça-feira, agosto 31, 2010
"É preciso que as coisas mudem de lugar para que permaneçam onde estão"
Tancredi Falconeri, em O Leopardo (Il Gattopardo), de Luchino Visconti
concordo com o Lauer, que, muito oportunamente, lembrou desta frase.
dois dias seguindos, ontem e hoje, quando a condição humana novamente me surpreendeu com a capacidade de fazer escolhas pautadas pelo medo.
medo do novo, medo profundo, ancestral e inexplicável.
medo de fazer escolhas, de promover mudanças, de mudar.
ao mesmo tempo, e num nível que a nossa racionalidade não pode explicar, está tudo certo.
a consciência sabe, lida com isto e compreende que as pessoas estão fazendo as escolhas mais adequadas para este momento.
mesmo não sendo as que eu gostaria.
(é apenas um desabafo ex-nigmático, porque um ex-nigma tem seu próprio encanto)
concordo com o Lauer, que, muito oportunamente, lembrou desta frase.
dois dias seguindos, ontem e hoje, quando a condição humana novamente me surpreendeu com a capacidade de fazer escolhas pautadas pelo medo.
medo do novo, medo profundo, ancestral e inexplicável.
medo de fazer escolhas, de promover mudanças, de mudar.
ao mesmo tempo, e num nível que a nossa racionalidade não pode explicar, está tudo certo.
a consciência sabe, lida com isto e compreende que as pessoas estão fazendo as escolhas mais adequadas para este momento.
mesmo não sendo as que eu gostaria.
(é apenas um desabafo ex-nigmático, porque um ex-nigma tem seu próprio encanto)
terça-feira, agosto 24, 2010
a coisa está ficando séria quando...
... a gente compra duas vezes a mesma revista, sem ao menos se dar conta.
lembra do pote de manteiga esquecido dentro do carro?
pois é, amiga-irmã-caminhoneira, é um upgrade daquele estado.
a pessoa vai lá, entra na banca de revista, calmamente observa o ultimo numero
da sua revista preferida, acha legal, e compra.
gasta seus dez pilas pra levar pra casa.
quando chega, lê, acha legal, pensa que já leu algo parecido.
e não se toca.
não, nem assim, lendo de novo a pessoa se toca!
daí, outro dia, vê numa pilha de revistas que ela já tinha aquela revista.
não, meus senhores, nao estou falando de outro número da mesma revista!
estou falando do MESMO número!
mesminho, capa igual, reportagem igual, tudo igual.
e aí, como se explica?
nao se explica.
lembra do pote de manteiga esquecido dentro do carro?
pois é, amiga-irmã-caminhoneira, é um upgrade daquele estado.
a pessoa vai lá, entra na banca de revista, calmamente observa o ultimo numero
da sua revista preferida, acha legal, e compra.
gasta seus dez pilas pra levar pra casa.
quando chega, lê, acha legal, pensa que já leu algo parecido.
e não se toca.
não, nem assim, lendo de novo a pessoa se toca!
daí, outro dia, vê numa pilha de revistas que ela já tinha aquela revista.
não, meus senhores, nao estou falando de outro número da mesma revista!
estou falando do MESMO número!
mesminho, capa igual, reportagem igual, tudo igual.
e aí, como se explica?
nao se explica.
quinta-feira, agosto 12, 2010
...
sentir o mundo fugir debaixo dos pés por um instante que é do tamanho da eternidade.
por mais que a razão procure explicar, dizer, argumentar que aquilo pode ser passageiro,
já é maior do que tudo e qualquer coisa que exista nesta vida.
por mais que a razão procure explicar, dizer, argumentar que aquilo pode ser passageiro,
já é maior do que tudo e qualquer coisa que exista nesta vida.
terça-feira, agosto 10, 2010
frase da semana
tem gente que
é como certos tipos de filme:
o trailer a gente consegue ver,
mas o filme inteiro,
nem pensar!
é como certos tipos de filme:
o trailer a gente consegue ver,
mas o filme inteiro,
nem pensar!
terça-feira, julho 27, 2010
pétala
estou treinando a delicadeza.
do falar, do expressar, do assumir o lugar no mundo.
retomar o delicado dizer do ser feminino,
e a amorosidade deste dizer.
ao mesmo tempo, exercitar a firmeza e a força do amor,
leve, resoluto,
juntando força e delicadeza.
ninguém falou que era fácil...
(alguém aí tem uma bula de como viver?)
do falar, do expressar, do assumir o lugar no mundo.
retomar o delicado dizer do ser feminino,
e a amorosidade deste dizer.
ao mesmo tempo, exercitar a firmeza e a força do amor,
leve, resoluto,
juntando força e delicadeza.
ninguém falou que era fácil...
(alguém aí tem uma bula de como viver?)
sexta-feira, julho 02, 2010
você sabe que está precisando de férias quando...
encontra uma sacola de supermercado com um tablete de manteiga,
um pote de margarina,
quatro danettes de chocolate
dentro do porta malas do carro.
pensa que a última vez em que foi ao supermercado foi na...
deixa ver...
segunda feira.
e hoje é sexta...
e tem feito dias frios,
e outros quentes.
e que hoje, por exemplo,
fez trinta graus.
e que o carro ficou no sol, não o dia todo, mas um bom tempo...
agradece imensamente à nossa senhora do bom conservante,
e destina um pensamento ao anjo da guarda que rege os esquecimentos.
rogai por nós, santos e protetores, valei-me, férias!
um pote de margarina,
quatro danettes de chocolate
dentro do porta malas do carro.
pensa que a última vez em que foi ao supermercado foi na...
deixa ver...
segunda feira.
e hoje é sexta...
e tem feito dias frios,
e outros quentes.
e que hoje, por exemplo,
fez trinta graus.
e que o carro ficou no sol, não o dia todo, mas um bom tempo...
agradece imensamente à nossa senhora do bom conservante,
e destina um pensamento ao anjo da guarda que rege os esquecimentos.
rogai por nós, santos e protetores, valei-me, férias!
terça-feira, junho 29, 2010
a teoria da maionese no cabelo
a idéia toda começou assim:
tem uma coleguinha do gabriel que é lindinha.
todas são, mas esta tem uma mistura de meiguice com arteirice que é um encanto.
outro dia, estávamos na cantina da escola, comendo bauru, com ela e outros colegas do gabo.
a menina, super empolgada comendo, foi colocar maionese no sanduíche.
pegou o saquinho da maionese (sabem aquele tipo bisnaguinha, tipo os do circulu's e sanata?) e mordeu uma ponta enquanto segurava forte a outra.
a maionese espirrou inteira no cabelo comprido da menina, lambuzou tudo, e ela foi tentar consertar, passou a mão, limpou na roupa a mão melecada, nao conseguiu limpar nada direito mas seguiu comendo super empolgada o sanduiche entre a maionese no cabelo e na roupa, uma coisa!
o gabriel ficou olhando aquilo, entre espantado e encantado.
parecia que, se antes ele já achava a menina especial, a maionese tornou tudo mais especial ainda!
e, depois, conversando com o luciano, formulamos a teoria da maionese no cabelo (nossa primeira nova e revolucionária super-hiper-ultra-mega-teoria-inutil-conjunta!)
do encanto da pessoa que faz uma coisa (muito!) inusitada, que diz uma coisa (muito!) fora de hora, que dá um (super!) fora, que fala sem pensar (mesmo!), e que faz tudo isto de uma forma tão natural, tão dela mesma, tão autêntica, que é absoluta, absurda e incontrolavelmente encantadora!
depois disto, não venham me dizer que meus foras são inadequados (carregava até hoje o fardo da inconveniência daquela história da aliança de noivado da amiga), acabo de me livrar deles, e adotar a teoria da maionese no cabelo!
(não levem a sério se não quiserem, ou não concordarem de fato, mas os "maionésicos" se sentirão imediatamente reconhecidos, reconfortados, exultantes e acolhidos!)
tem uma coleguinha do gabriel que é lindinha.
todas são, mas esta tem uma mistura de meiguice com arteirice que é um encanto.
outro dia, estávamos na cantina da escola, comendo bauru, com ela e outros colegas do gabo.
a menina, super empolgada comendo, foi colocar maionese no sanduíche.
pegou o saquinho da maionese (sabem aquele tipo bisnaguinha, tipo os do circulu's e sanata?) e mordeu uma ponta enquanto segurava forte a outra.
a maionese espirrou inteira no cabelo comprido da menina, lambuzou tudo, e ela foi tentar consertar, passou a mão, limpou na roupa a mão melecada, nao conseguiu limpar nada direito mas seguiu comendo super empolgada o sanduiche entre a maionese no cabelo e na roupa, uma coisa!
o gabriel ficou olhando aquilo, entre espantado e encantado.
parecia que, se antes ele já achava a menina especial, a maionese tornou tudo mais especial ainda!
e, depois, conversando com o luciano, formulamos a teoria da maionese no cabelo (nossa primeira nova e revolucionária super-hiper-ultra-mega-teoria-inutil-conjunta!)
do encanto da pessoa que faz uma coisa (muito!) inusitada, que diz uma coisa (muito!) fora de hora, que dá um (super!) fora, que fala sem pensar (mesmo!), e que faz tudo isto de uma forma tão natural, tão dela mesma, tão autêntica, que é absoluta, absurda e incontrolavelmente encantadora!
depois disto, não venham me dizer que meus foras são inadequados (carregava até hoje o fardo da inconveniência daquela história da aliança de noivado da amiga), acabo de me livrar deles, e adotar a teoria da maionese no cabelo!
(não levem a sério se não quiserem, ou não concordarem de fato, mas os "maionésicos" se sentirão imediatamente reconhecidos, reconfortados, exultantes e acolhidos!)
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