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terça-feira, dezembro 22, 2009

farei de ti um rei


Quero levar-te àquela ilha
Onde serás amado,
Onde serás aceito
Do jeito
Que és.
Onde podes tirar a máscara
E deixar esplender
Teu rosto.
Onde minha ternura
Não se espantará
Com teu grão de loucura;
Onde minha
Paixão não diminuirá
Com tua parcela de medos;
Onde podes ser o que és,
Naturalmente,
E mesmo assim
Farei de ti
Um rei.
(Lya Luft)
foto do site Olhares

à distância, seguro a tua mão


Alguém joga xadrez com minha vida, alguém me borda do avesso, alguém maneja os cordéis.
Alguém me inventa e desinventa como quer: talvez seja esta a minha condição.
Alguém dirige o teatro de sombras no qual fui ré sentenciada. Finjo entender de tudo: ando de um lado e outro, faço gestos com a mão, cuspo as sementes do fruto entalado na garganta como um grito: alguém aí pode me ouvir?
Ninguém reage, ninguém tenta aplaudir: nesse reino todos usam disfarces, menos a solidão. (Lya Luft)
do site Olhares

sexta-feira, outubro 02, 2009

...


Corda bamba em que empenho minhas paixões inúteis
de louca, trapezista, ou palhaço, levando no chapéu torto
a flor da esperança de que tenham esquecido as redes.
Não importa saber:
abaixo dessa dança, no vazio que finges, sei que observas.
Teu rosto de disfarçado amor espelha tudo o que sonho,
escondo ou faço.

lya luft

(foto do site olhares, poema da lya luft postado no querido poeta)

sábado, julho 25, 2009

das palavras


Certa vez errei uma tecla do computador e em lugar de “perdas” saiu ”peras”. Eu ia corrigir, mas li de novo, achei muito mais bonito e deixei assim. Ninguém reclamou, nem os revisores… Dessa maneira acontecem mal-entendidos: amizades se perturbam, amores se rompem, pessoas se desencontram e magoam… Palavras esvoaçam como bilhetes, sinais de fumaça ou borboletas perdidas… Então nem sempre que alguém dizia “flor” o outro pensava “flor”? E podia entender “pedra”? Nada era simples. Pra mim as palavras eram objetos mágicos, mas via que podiam ser traiçoeiros. Belos de olhar, mas duros, com arestas cortantes; caramelos de vários sabores que eu deixava rolar na boca com delícia, porém a gente podia se engasgar, até morrer. Não era só prazer a linguagem: peras, perdas, fazer falta, estar em falta ou sentir falta. Desacordo, desconserto. Ambivalentes como nós, palavras preparam armadilhas ou abrem portas de sedução. Embalam ou derrubam, enredam em doces laços, ou nos matam dolorosamente — como punhais.

lya luft
(publicado pela regina em querido poeta)

(aí alguem diz: "bicicleta" e todo mundo entende o que era para entender)

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