quarta-feira, julho 18, 2007

"frio, de um lugar tão úmido que está isto aqui"

"Precisamos de uma estética do frio, pensei. Havia uma estética que parecia mesmo unificar os brasileiros, uma estética para a qual nós, do extremo sul, contribuíamos minimamente; havia uma idéia corrente de brasilidade que dizia muito pouco, nunca o fundamental de nós. Sentíamo-nos os mais diferentes em um país feito de diferenças. Mas como éramos? De que forma nos expressávamos mais completa e verdadeiramente? O escritor argentino Jorge Luís Borges, que está enterrado aqui em Genebra, escreveu: a arte deve ser como um espelho que nos revela a própria face. Apesar de nossas contrapartidas frias, ainda não fôramos capazes de engendrar uma estética do frio que revelasse a nossa própria face." Vitor Ramil, A Estética do Frio

Sei que não consola, nem diminue a sensação de ter ancorado instantaneamente no Polo Norte que nos traz esta massa de ar polar, mas o texto do Vitor Ramil traduz literariamente esta sensação.
E sempre acho que Ramilonga é a trilha sonora ideal para estes dias...
(a frase do titulo do post é uma fala incidental do primeiro disco do Vitor, Satolep)

Um comentário:

Ana disse...

Oi, Isa!

Que lindo!

Adoro tudo o que ele escreve. Sinto tudo tão parecido... me identifico!

Dá uma olhadinha aqui:
http://roccana2.blogspot.com/2006/02/satolep.html

É tão bom encontrar pessoas com quem nos identificamos...
Obrigada!!

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