sexta-feira, maio 08, 2009

amar e desamar - update



‘Olha, antes de o ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe? Dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende? (…) Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e “desamar” era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender (…) Fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um dia destes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas.’

Caio Fernando Abreu

(direto do Roccana, blog da querida Ana, com update trazendo o texto mais completo direto do Before sunset)
(foto do site Olhares, se chama "quanto tempo dura o para sempre?")

5 comentários:

Paulo disse...

Mina
Recomentando.
Como diz Anais Nin em teu blog: "Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos".
Em outras palavras, vemos o que cremos, cremos o que queremos, queremos o que desejamos.
O que desejamos? A felicidade, individual e coletiva.
Desejemos então não a raiva (cega), mas a serenidade (pensar/sentir antes de agir), lançando luz de sabedoria sobre sobre o que somos e vemos.
Conhecer a si mesmo, belo e exigente desafio de vida.

Anônimo disse...

O outro, assim como nós, como todo mundo, é sempre uma projeção de quem olha. Até mesmo os filhos são essa projeção. As projeções são apenas um recurso pelo qual nos iludimos, todos os dias, quanto às possibilidades humanas. Quando "amamos" o outro é porque o que vemos em nós é incompleto. Mas, como o outro também é incompleto, o "amor que sentimos" nada mais é do que a ilusão da completude. No fundo, somos terrivelmente solitários, um quebra-cabeças com peças faltando, como provam os suicídios repentinos de pessoas amadas com quem horas antes dividíamos a alegria como se fosse durar para sempre. Por outro lado, mesmo assim, cada ser é um universo particular, pleno de possibilidades desconhecidas ao outro que vê. Melhor a pessoa do que a projeção. A pessoa é real, a projeção é sonho. Mesmo assim, o desencontro será a regra, já que não há ninguém perfeitamente nítido nesse mundo. Ameniza esse desconforto quando colocamos nossas limitações na mesa em vez de fugirmos delas como se não existissem. O amor existe no risco, na intensidade do inesperado. A "calmaria do amor", coisas como o casamento e a família, por exemplo, podem ser apenas uma estratégia para esconder nosso cansaço, iludir nosso medo do desconhecido. Amor não se explica, se sente. Para usar uma frase bem boba: amar é gostar do outro do jeito que ele é, aceitando o risco. , e sabendo que, todos os dias, se o outro nos decepcionará, é capaz ao mesmo tempo de nos surpreender positivamente. A natureza humana não presta, mesmo assim a gente finge que sim. Beijos.

Anônimo disse...

Mina
vamos aos fatos: mulher gosta de segurança e de dinheiro. Mulher "ama" homem que oferece isso. Mulheres e homens, mesmo que vimam juntos, nunca contam um para o outro todas as verdades. Vivem juntos uma vida, guardando segredos da cama e da alma. Fingindo. O que vemos no outro é sempre uma miragem, em cada ou fora dela. Qualidades existem em todos, defeitos também. Mas quando há dinheiro e conforto tudo fica bom.

Igor disse...

Linda, inteligente, talentosa, sensível, guerreria para o estar feliz, acima de tudo... E paira...Paira como ema esfinge.Não aquelas esfinges estereótipos que não dizem nada e se aventam de misterios...Mas como uma esfinge contemporÂnea, pós moderna, onde tudo: cada olhar, gesto, sorriso, movimento de pulseiras, pode revelar um mundo, um mundo possível, uma invenção mirando o ser melhor...
Amo-te... e dá pra achar um tempo pro o nosso café?????

otraprofe?? disse...

Desamar es un proceso muy delicado y terrible. La idealización del otro se pierde,las cosas dejan de tener el sentido que tuvieron. Deja un gran vacío pero hay mucha tranquilidad.
A veces suceden cosas terribles y sientes que todo se desmorona casi de repente. En ese caso, lo mejor es que el olvido llegue cuanto antes. Y hay que sanearse.
Cuánto echo de menos hablar contigo!!!!
Besos desde Madrid.

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