quinta-feira, março 22, 2007

Em busca da ancestralidade quase esquecida

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"A principal dívida que temos com nossos ances trais não é voltarmos a viver do modo como eles viviam, mas sermos nós mesmos.” Com essa frase o professor livre-docente da Universidade de São Paulo (USP), Marcos Ferreira, se referiu à importância de admitir na ancestralidade o ponto inicial para o reconhecimento da própria identidade cultural.Ferreira esteve em Pelotas durante a última semana para realizar conferência no Instituto João Simões Lopes Neto sobre a relação das mitologias pampianas com o processo de formação identitária do povo gaúcho. Elementos do conto A Salamanca do Jarau - retrabalhado pelo autor de Lendas do Sul - como a Teiniaguá foram destacados pelo professor. Em entrevista ao Diário Popular na sexta-feira à tarde Ferreira destacou o valor do criador de Blau Nunes: “Por ter reconhecido a grande sabedoria contida nos mitos e os ter imortalizado de forma poética e literária, Simões Lopes Neto possui para nós brasileiros a mesma importância que Homero aos gregos.”O FEMININO COMO SÍMBOLOAinda que na superfície a mulher tenha sido discriminada e maltratada em parte da história oficial do Rio Grande do Sul, Ferreira afirmou que o Estado é “matrial”, ou seja, possui matriz feminina. “As mulheres sempre foram na história gaúcha o esteio. A personagem Ana Terra, criada pelo Erico Verissimo, de certa forma é um arquétipo da mulher no Rio Grande do Sul.” Globalização O processo de globalização, na opinião de Marcos Ferreira, quer massificar as culturas, torná-las idênticas. O professor e pesquisador citou a declaração de um líder indígena Quechua - “Frente ao império da morte, nós sobreviveremos” - para afirmar que as culturas regionais resistirão às tentativas de padronização.Ferreira ainda salientou: “Nos grandes centros urbanos, se pensa que a globalização é inevitável. Porém, ao passo que ela avança também avança a resistência a ela através do reconhecimento de nossa própria cultura e tradição.”PALAVRA, CANTO e SILÊNCIO. A tradição oral continua viva, ainda que a valorização da escrita seja muito maior na sociedade atual. Ferreira cita como exemplo a importância que os índios guaranis dão aos nomes. “É dádiva divina o poder de nomear as coisas. Por isso eles procuram não mentir nem amaldiçoar alguém.”O professor reconhece no canto a principal forma de ensino dos mitos de origem, do significado profundo dos nomes, a revelação do futuro e a memória do passado. Assim Ferreira ressalta, no artigo A sacralidade do texto em culturas orais publicado na revista Diálogos em 2004, a importância do canto: “O que se sucede ao canto, através da potência da palavra, é o momento sublime de re-encontro com o sagrado: o silêncio.”

2 comentários:

Viki disse...

Isa,
Interesante tu texto. La expresión oral, a través de la palabra, el canto o el silencio tiene muchísima fuerza.
He leido tu comentario en mi blog, me gustará hacer un contacto con alguién mas de Brasil.

Anônimo disse...

Entendi o que escreveste. Eu também entendi . Isto diz uuito .
Fiquei com vontade de saber mais . Tudo a seu tempo: palavra,canto ,silencio.
beijo mami

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