sexta-feira, janeiro 19, 2007

creio no mundo como num malmequer...

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos

2 comentários:

jjLeandro disse...

Sublime o fernando pessoa e seus heterônimos.
Convido vc a visitar o www.overmundo.com.br, um site cultural, e dos melhores, que a gente mesmo faz acontecer. Vá lá e se cadastre, dê uma olhada , vc vai gostar. De quebra, passa lá no meu: http://jjleandro.blog.terra.com.br/

Tô te aguardando.

abcs

isa disse...

nao consegui entrar no seu blog... sera que o endereco esta certo?

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